segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Conversas de Café I

(uma mulher sozinha a ler Beckett, enquanto bebe um chá. Alguém aproxima-se)

- Desculpe, creio que já nos conhecemos...
- Não me parece.
- Tenho ideia de que já a vi no passado.
- Impossível. Eu estou sempre presente.
- Eu lembro-me de si!
- Talvez... mas mais pequenina?
- Sim! Lembro-me de si mais nova.
- Não. Eu disse mais pequena... como uma criança.
- Isso, isso.
- Você lembra-se de mim mais pequena. Mais nova não acredito.
- Não estou a perceber.
- Eu acabo de nascer. Nasço e renasço a cada instante.
- Quer dizer que estou a falar consigo pela primeira vez?
- É sempre como se fosse a primeira vez.


rla

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

do amor...

não há no mundo emoção mais forte do que o amor.
é o amor que dá a vida.
dele, nasce tudo o que existe.
existo por ele, e para ele.
do sofrimento procuramos a alegria. da dor extraímos o prazer. e o que é o amor senão isso? e o que é o amor senão o medo? de perder.
não há emoção no mundo mais forte do que o amor.


rla

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

o meu quarto


um ano começa. um novo ciclo aparece.

depois dos textos dos outros, um ciclo de textos originais.

e sem esquecer os dos outros, os dos verdadeiros escritores, quero fazer aparecer à janela um bocadinho do meu quarto, afastando a cortina opaca, que até agora apenas deixava passar a luz de fora para dentro...


quinta-feira, 22 de maio de 2008

amar ou não amar

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"Não ser amado é falta de sorte, mas não amar é a própria infelicidade"




Albert Camus

quarta-feira, 7 de maio de 2008




No Museu Municipal de Faro


(Largo Afonso III, 14 – junto à Sé)


8, 9 e 10 de Maio, às 21h30 (5ª, 6ª e sábado)


Reservas (a sala só terá 30 lugares):
914.428.661 / apeste.gt@gmail.com
(Preço único: 4€)



Uma família vive atormentada pelas consequências da fraude cometida pelo pai no colégio de órfãos de que era Director - e pela qual foi condenado à prisão. Para além das grandes dificuldades financeiras em que ficou por causa das dívidas, também a honra e a imagem da família foi atingida, na pequena cidade de província onde vivem. Ao longo da história, o principal credor aproxima-se várias vezes da casa, provocando o grande temor dos seus moradores, receosos da sua exigência de execução da dívida. A acção desenrola-se nas vésperas do Domingo de Páscoa: quinta-feira santa (Acto I), sexta-feira santa (Acto II) e sábado de Aleluia (Acto III).


Elenco: Ana Paleta, António Branco, Fúlvia Almeida, Márcio Guerra, Rui Andrade e Sónia Esteves
Versão cénica: A Peste
Encenação e Dramaturgia: António Branco
Assistência de Encenação e Dramaturgia: Rui Andrade
Assistência de Cena: Inês Porfírio e Jorge Carvalho
Cenário, Adereços e Figurinos: António Branco e Susana Duarte
Desenho de Luz, Operação de Luz e Som: Fernando Cabral
Aconselhamento artístico: Carlos Carvalheiro, José Mário Branco e Manuela de Freitas
Tradução: Luís Miguel Cintra
Produção: A Peste - Associação de Pesquisa Teatral

quinta-feira, 24 de abril de 2008

o quanto te amei antes de te conhecer

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o tempo, subitamente solto pelas ruas e pelos dias, como a onda de uma tempestade a arrastar o mundo, mostra-me o quanto te amei antes de te conhecer. eram os teus olhos, labirintos de água, terra, fogo, ar, que eu amava quando imaginava que amava. era a tua a tua voz que dizia as palavras da vida. era o teu rosto. era a tua pele. antes de te conhecer, existias nas árvores e nos montes e nas nuvens que olhava ao fim da tarde. muito longe de mim, dentro de mim, eras tu a claridade.



José Luís Peixoto

quarta-feira, 26 de março de 2008

Só o Presente é Verdadeiro e Real

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Um ponto importante da sabedoria de vida consiste na proporção correcta com a qual dedicamos a nossa atenção em parte ao presente, em parte ao futuro, para que um não estrague o outro. Muitos vivem em demasia no presente: são os levianos; outros vivem em demasia no futuro: são os medrosos e os preocupados. É raro alguém manter com exactidão a justa medida.
Aqueles que, por intermédio de esforços e esperanças, vivem apenas no futuro e olham sempre para a frente, indo impacientes ao encontro das coisas que hão-de vir, como se estas fossem portadoras da felicidade verdadeira, deixando entrementes de observar e desfrutar o presente, são, apesar dos seus ares petualentes, comparáveis àqueles asnos da Itália, cujos passos são apressados por um feixe de feno que, preso por um bastão, pende diante da sua cabeça. Desse modo, os asnos vêem sempre o feixe de feno bem próximo, diante de si, e esperam sempre alcançá-lo.

Tais indivíduos enganam-se a si mesmos em relação a toda a sua existência, na medida em que vivem ad interim [interinamente], até morrer. Portanto, em vez de estarmos sempre e exclusivamente ocupados com planos e cuidados para o futuro, ou de nos entregarmos à nostalgia do passado, nunca nos deveríamos esquecer de que só o presente é real e certo; o futuro, ao contrário, apresenta-se quase sempre diverso daquilo que pensávamos. O passado também era diferente, de modo que, no todo, ambos têm menor importância do que parecem. Pois a distãncia, que diminui os objectos para o olho, engrandece-os para o pensamento.
Só o presente é verdadeiro e real; ele é o tempo realmente preenchido e é nele que repousa exclusivamente a nossa existência. Dessa forma, deveríamos sempre dedicar-lhe uma acolhida jovial e fruir com consciência cada hora suportável e livre de contrariedades ou dores, ou seja, não a turvar com feições carrancudas acerca de esperanças malogradas no passado ou com ansiedades pelo futuro. Pois é inteiramente insensato repelir uma boa hora presente, ou estragá-la de propósito, por conta de desgostos do passado ou ansiedades em relação ao porvir.
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Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'