(Duas amigas conversam em volta de um chá partilhado; pelo cheiro dir-se-ia ser de camomila.)
A - Não sei o que ele quer de mim.
B - Já lhe perguntaste?
A - São coisas que não se perguntam.
B - Há quanto tempo vocês se conhecem?
A - Há muito, para mim! Para ele, ainda não o suficiente.
B - Pelo que vejo, já esperas pouco dele...
A - Não. Espero tudo. É por isso que não o consigo evitar! Aí vem ele...
(Entra o empregado de mesa e serve mais um pouco de chá a cada uma; antes de sair sorri a ambas, atenciosamente.)
rla
"histórias e desabafos poéticos que quase passaram pela cabeça de Samuel Becket, Franz Kafka, Fernando Pessoa ou mesmo Gonçalo M. Tavares"
domingo, 16 de janeiro de 2011
terça-feira, 22 de junho de 2010
Conversas de café VII
(Um homem está ao balcão, bebe uma cerveja; chega uma mulher e toca-lhe no ombro.)
M - Como estás?
H - Bem, obrigado.
M - Não me pareces bem.
H - Porque dizes isso?
M - Pelo teu aspecto. A tua cara mete medo!
H - Um vulcão, quando entra em erupção, também mete medo. Mas por dentro está vivo, e arde.
rla
M - Como estás?
H - Bem, obrigado.
M - Não me pareces bem.
H - Porque dizes isso?
M - Pelo teu aspecto. A tua cara mete medo!
H - Um vulcão, quando entra em erupção, também mete medo. Mas por dentro está vivo, e arde.
rla
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Conversas de café VI
(um homem e uma mulher conversam lado-a-lado, a uma mesa de café.)
Ela - Eu só quero um pouco de tempo!
(o empregado chega para fazer o pedido.)
Ele - Para mim pode ser um copo de água fresca.
Ela - Eu ainda não me decidi. Preciso de mais tempo.
Empregado - Esteja à vontade. (sai)
Ele - Queres que te ajude?
Ela - Não. Tenho que decidir por mim.
Ele - Não penses. Responde. O que te apetece neste momento?
(entra o empregado.)
Empregado - O que vai ser, então?
Ela - Não sei. Traga a água que eu já peço!
Empregado - Muito bem. (sai)
Ela - Eu quero, neste momento...
Ele - Já estás a levar para a cabeça! O que é que o teu corpo pede? Diz!
(entra o empregado e serve a água; ela olha para ele e sorri.)
Empregado - Já decidiu?
Ela - Sim.
Empregado - O quê?
Ela - O mesmo que ele...
rla
Ela - Eu só quero um pouco de tempo!
(o empregado chega para fazer o pedido.)
Ele - Para mim pode ser um copo de água fresca.
Ela - Eu ainda não me decidi. Preciso de mais tempo.
Empregado - Esteja à vontade. (sai)
Ele - Queres que te ajude?
Ela - Não. Tenho que decidir por mim.
Ele - Não penses. Responde. O que te apetece neste momento?
(entra o empregado.)
Empregado - O que vai ser, então?
Ela - Não sei. Traga a água que eu já peço!
Empregado - Muito bem. (sai)
Ela - Eu quero, neste momento...
Ele - Já estás a levar para a cabeça! O que é que o teu corpo pede? Diz!
(entra o empregado e serve a água; ela olha para ele e sorri.)
Empregado - Já decidiu?
Ela - Sim.
Empregado - O quê?
Ela - O mesmo que ele...
rla
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Conversas de café V
(Um homem e uma mulher sentados de frente um para o outro, com as mãos dadas por cima da mesa; partilham um bule de chá)
- Alguma vez pensaste na sorte que temos?
- O que é que queres dizer com isso?
- Eu e tu...
- É bonito, não é?
- Parece que te conheço desde sempre e, ao mesmo tempo, desejo descobrir-te... o resto da minha vida!
rla
- Alguma vez pensaste na sorte que temos?
- O que é que queres dizer com isso?
- Eu e tu...
- É bonito, não é?
- Parece que te conheço desde sempre e, ao mesmo tempo, desejo descobrir-te... o resto da minha vida!
rla
terça-feira, 11 de maio de 2010
conversas de café IV
(duas amigas sentadas num sofá; em frente delas uma pequena mesa com um copo com água e um café; uma delas fuma um cigarro quase a chegar ao fim).
A - Sei o que me fizeste.
(silêncio)
B - E não me perguntas por que o fiz?
A - Tenho medo do que me possas dizer...
B - Então não preciso dizer nada. Tu já sabes a razão!
rla
A - Sei o que me fizeste.
(silêncio)
B - E não me perguntas por que o fiz?
A - Tenho medo do que me possas dizer...
B - Então não preciso dizer nada. Tu já sabes a razão!
rla
domingo, 18 de abril de 2010
Cais ao entardecer
Águas paradas
estendem-se diante de mim
num sorriso rosa púrpura.
Breves ondas
levantam-se da ria
perseguindo um voo rasante de garça.
Um barco corta à deriva
empurrando uma onda de prata que cai
Desolada
na margem, junto a mim.
Olho um mastro de um barco
que sustenta o céu,
e admiro a sua força sideral.
Quero ser um remo que mergulha e vem respirar...
Que impulsiona e faz ondular...
Quero ser um grito de ave nocturna que se desprende do luar.
rla
quarta-feira, 17 de março de 2010
conversas de café III
(Dois amigos sentados numa mesa de café junto da janela. Lá fora é noite.)
- Há muito tempo que não o vejo.
- Eu também não.
- Creio que da última vez estávamos juntos.
- Sim, na praia.
- Numa esplanada.
- O que terá acontecido entretanto?
- Esquecemo-nos dele.
- Não acredito. O sol é como os amigos. Mesmo quando não pensamos nele, sente-se falta.
(O lado de fora da janela começa a clarear lentamente, até que o sol entra pelo café, inundando-o de luz.)
rla
- Há muito tempo que não o vejo.
- Eu também não.
- Creio que da última vez estávamos juntos.
- Sim, na praia.
- Numa esplanada.
- O que terá acontecido entretanto?
- Esquecemo-nos dele.
- Não acredito. O sol é como os amigos. Mesmo quando não pensamos nele, sente-se falta.
(O lado de fora da janela começa a clarear lentamente, até que o sol entra pelo café, inundando-o de luz.)
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