domingo, 16 de janeiro de 2011

Conversas de Café VIII

(Duas amigas conversam em volta de um chá partilhado; pelo cheiro dir-se-ia ser de camomila.)

A - Não sei o que ele quer de mim.
B - Já lhe perguntaste?
A - São coisas que não se perguntam.
B - Há quanto tempo vocês se conhecem?
A - Há muito, para mim! Para ele, ainda não o suficiente.
B - Pelo que vejo, já esperas pouco dele...
A - Não. Espero tudo. É por isso que não o consigo evitar! Aí vem ele...

(Entra o empregado de mesa e serve mais um pouco de chá a cada uma; antes de sair sorri a ambas, atenciosamente.)


rla

terça-feira, 22 de junho de 2010

Conversas de café VII

(Um homem está ao balcão, bebe uma cerveja; chega uma mulher e toca-lhe no ombro.)

M - Como estás?
H - Bem, obrigado.
M - Não me pareces bem.
H - Porque dizes isso?
M - Pelo teu aspecto. A tua cara mete medo!
H - Um vulcão, quando entra em erupção, também mete medo. Mas por dentro está vivo, e arde.



rla

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Conversas de café VI

(um homem e uma mulher conversam lado-a-lado, a uma mesa de café.)

Ela - Eu só quero um pouco de tempo!

(o empregado chega para fazer o pedido.)

Ele - Para mim pode ser um copo de água fresca.
Ela - Eu ainda não me decidi. Preciso de mais tempo.
Empregado - Esteja à vontade. (sai)
Ele - Queres que te ajude?
Ela - Não. Tenho que decidir por mim.
Ele - Não penses. Responde. O que te apetece neste momento?

(entra o empregado.)

Empregado - O que vai ser, então?
Ela - Não sei. Traga a água que eu já peço!
Empregado - Muito bem. (sai)
Ela - Eu quero, neste momento...
Ele - Já estás a levar para a cabeça! O que é que o teu corpo pede? Diz!

(entra o empregado e serve a água; ela olha para ele e sorri.)

Empregado - Já decidiu?
Ela - Sim.
Empregado - O quê?
Ela - O mesmo que ele...



rla

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Conversas de café V

(Um homem e uma mulher sentados de frente um para o outro, com as mãos dadas por cima da mesa; partilham um bule de chá)

- Alguma vez pensaste na sorte que temos?
- O que é que queres dizer com isso?
- Eu e tu...
- É bonito, não é?
- Parece que te conheço desde sempre e, ao mesmo tempo, desejo descobrir-te... o resto da minha vida!



rla

terça-feira, 11 de maio de 2010

conversas de café IV

(duas amigas sentadas num sofá; em frente delas uma pequena mesa com um copo com água e um café; uma delas fuma um cigarro quase a chegar ao fim).

A - Sei o que me fizeste.

(silêncio)

B - E não me perguntas por que o fiz?
A - Tenho medo do que me possas dizer...
B - Então não preciso dizer nada. Tu já sabes a razão!



rla

domingo, 18 de abril de 2010

Cais ao entardecer

Águas paradas

estendem-se diante de mim

num sorriso rosa púrpura.

Breves ondas

levantam-se da ria

perseguindo um voo rasante de garça.

Um barco corta à deriva

empurrando uma onda de prata que cai

Desolada

na margem, junto a mim.

Olho um mastro de um barco

que sustenta o céu,

e admiro a sua força sideral.

Quero ser um remo que mergulha e vem respirar...

Que impulsiona e faz ondular...

Quero ser um grito de ave nocturna que se desprende do luar.

rla

quarta-feira, 17 de março de 2010

conversas de café III

(Dois amigos sentados numa mesa de café junto da janela. Lá fora é noite.)

- Há muito tempo que não o vejo.
- Eu também não.
- Creio que da última vez estávamos juntos.
- Sim, na praia.
- Numa esplanada.
- O que terá acontecido entretanto?
- Esquecemo-nos dele.
- Não acredito. O sol é como os amigos. Mesmo quando não pensamos nele, sente-se falta.


(O lado de fora da janela começa a clarear lentamente, até que o sol entra pelo café, inundando-o de luz.)


rla